Comadres já sabem esta receita? É muito prática e sofisticada. Faz-se rapidamente. É coisa para “Dificuldade” = 2 colherzinhas de pau e “Tempo de preparação” = 30 minutinhos (no máximo) sem contar com o tempo de preparação (que são aí mais 30 minutos com o forno a 200 graus).
Venho pior que estragada ensinar-vos esta receita, vocês sabem lá o que me sucedeu. Fui ao talho, estava lá o Quim da Marcenaria e eu cá não sou de intrigas, mas bêbado que nem um cacho. Diz que lá foi comprar umas hamburgas à mulher que ‘tadita tem estado de cama, com uma virose. Ora, sei eu bem o que ela tem, ela já não pode aturar mais aquele homem sempre com aquele bafo de uva fermentada, e depois diz que se sente mal e tem umas febres, quando o que ela quer é ver se ele lhe deixa a labita. E então, lá estava ele para comprar as hamburgas, com a senha anterior à minha, porque correu o desgraçado quando me viu a aproximar da porta. Já não sabem ser cavalheiros. Passa aí um minuto e ele deslarga-se a primeira vez. O Tó do Talho coitadinho que desde que levou o coice do cavalo do Zé Tolas (a quem não fala desde essa altura, o que cá para nós o cavalo foi só um pretexto, já desde a escola que eles não se engoliam), não tem olfacto mas eu tenho-o e dos apuradinhos e era um pivete que não se podia estar dentro daquele talho. Ora, o que é que eu faço para ver se ele se toca, amando-me com esta: “Ó Tó tens de desentupir a fossa que está aqui um pi que não se pode”. O Quim ri-se e finge que não é nada com ele e continua no registo das serenas (que como sabem são aquelas bufas muito mal cheirosas, que saem de fininho sem ruído). Eu não desisto e volto à carga: “Ó Quim não lhe cheira aqui mesmo mal? Quase que parece que algum de nós se deslargou!” O Quim vira-se e diz-me, vocês vejam a lata do homem: “Na volta foste tu Maximina, toda a gente sabe que sofres daquela doença do cólon irritável ou lá o que é”. Fui-me aos arames, dei-lhe um encontrão ao passar por ele, disse um adeus rápido ao Tó que já não podia com o cheiro e vim-me embora, razão pela qual, em vez de fazer a língua de vaca, que vos ensinarei noutro dia, resolvi descongelar os medalhões de maruca que tinha no Frederico. É que nem me apetece falar de tão arreliada que fiquei. Por isso deixo-vos apenas com a receita comadres, está bem? Conversamos mais noutro dia. É que já estou atrasada porra. Vem cá almoçar a neta da minha irmã e eu quero que isto fique mesmo bom, para ela não ir depois dizer avó (que toda a vida teve inveja de mim. Toda a vida. Ai o que eu sofro com isso.) que a tia-avó não sabe cozinhar. Sei cozinhar muito bem e é como vos digo: prático e requintado. Mas não o aprendi no findo programa do Sebastião (Ai Nelinho Goucha as saudades que tenho tuas na fase pré Teresa Guilherme. Ela deu cabo da tua pureza Gouchinha…) aprendi-o pela Sofia Antunes que por sua vez aprendeu com a sobrinha que veio da Madeira dar aulas para o Continente. E então é assim:
- Descongelam os medalhões
- Colocam-nos num tabuleiro com cebola picada e azeite
- Temperam-nos com pimenta, noz moscada e sal
- Regam com molho bechamel Pingo Doce que é muito bom. (2 pacotes)
- Colocam gambas congeladas (que dão menos trabalho) ou compram-nas já cozidas adivinhem onde? Todas juntas: NO PINGO DOCE.
- Levam ao forno a gratinar.
Acompanham com legumes cozidos, se eu quisesse agora ser brejeira dizia-vos grelos, mas vocês sabem como eu me pauto pela discrição e pelo humor subtil. Ai se pauto. E também com um arrozinho branco.
Olaré depois digam lá se não fica do melhor.
Bons cozinhados!
(Num belo cozinhado meteu-se a Tareca, a gata da Ermelinda que viu o que eu também vi, ai se ela falasse…)
Xizinho grande a todas.
Maxi.
Venho pior que estragada ensinar-vos esta receita, vocês sabem lá o que me sucedeu. Fui ao talho, estava lá o Quim da Marcenaria e eu cá não sou de intrigas, mas bêbado que nem um cacho. Diz que lá foi comprar umas hamburgas à mulher que ‘tadita tem estado de cama, com uma virose. Ora, sei eu bem o que ela tem, ela já não pode aturar mais aquele homem sempre com aquele bafo de uva fermentada, e depois diz que se sente mal e tem umas febres, quando o que ela quer é ver se ele lhe deixa a labita. E então, lá estava ele para comprar as hamburgas, com a senha anterior à minha, porque correu o desgraçado quando me viu a aproximar da porta. Já não sabem ser cavalheiros. Passa aí um minuto e ele deslarga-se a primeira vez. O Tó do Talho coitadinho que desde que levou o coice do cavalo do Zé Tolas (a quem não fala desde essa altura, o que cá para nós o cavalo foi só um pretexto, já desde a escola que eles não se engoliam), não tem olfacto mas eu tenho-o e dos apuradinhos e era um pivete que não se podia estar dentro daquele talho. Ora, o que é que eu faço para ver se ele se toca, amando-me com esta: “Ó Tó tens de desentupir a fossa que está aqui um pi que não se pode”. O Quim ri-se e finge que não é nada com ele e continua no registo das serenas (que como sabem são aquelas bufas muito mal cheirosas, que saem de fininho sem ruído). Eu não desisto e volto à carga: “Ó Quim não lhe cheira aqui mesmo mal? Quase que parece que algum de nós se deslargou!” O Quim vira-se e diz-me, vocês vejam a lata do homem: “Na volta foste tu Maximina, toda a gente sabe que sofres daquela doença do cólon irritável ou lá o que é”. Fui-me aos arames, dei-lhe um encontrão ao passar por ele, disse um adeus rápido ao Tó que já não podia com o cheiro e vim-me embora, razão pela qual, em vez de fazer a língua de vaca, que vos ensinarei noutro dia, resolvi descongelar os medalhões de maruca que tinha no Frederico. É que nem me apetece falar de tão arreliada que fiquei. Por isso deixo-vos apenas com a receita comadres, está bem? Conversamos mais noutro dia. É que já estou atrasada porra. Vem cá almoçar a neta da minha irmã e eu quero que isto fique mesmo bom, para ela não ir depois dizer avó (que toda a vida teve inveja de mim. Toda a vida. Ai o que eu sofro com isso.) que a tia-avó não sabe cozinhar. Sei cozinhar muito bem e é como vos digo: prático e requintado. Mas não o aprendi no findo programa do Sebastião (Ai Nelinho Goucha as saudades que tenho tuas na fase pré Teresa Guilherme. Ela deu cabo da tua pureza Gouchinha…) aprendi-o pela Sofia Antunes que por sua vez aprendeu com a sobrinha que veio da Madeira dar aulas para o Continente. E então é assim:
- Descongelam os medalhões
- Colocam-nos num tabuleiro com cebola picada e azeite
- Temperam-nos com pimenta, noz moscada e sal
- Regam com molho bechamel Pingo Doce que é muito bom. (2 pacotes)
- Colocam gambas congeladas (que dão menos trabalho) ou compram-nas já cozidas adivinhem onde? Todas juntas: NO PINGO DOCE.
- Levam ao forno a gratinar.
Acompanham com legumes cozidos, se eu quisesse agora ser brejeira dizia-vos grelos, mas vocês sabem como eu me pauto pela discrição e pelo humor subtil. Ai se pauto. E também com um arrozinho branco.
Olaré depois digam lá se não fica do melhor.
Bons cozinhados!
(Num belo cozinhado meteu-se a Tareca, a gata da Ermelinda que viu o que eu também vi, ai se ela falasse…)
Xizinho grande a todas.
Maxi.